A Quaresma de 2026 inicia nesta quarta-feira, dia 18, na Quarta-feira de Cinzas, e segue até a quinta-feira, dia 2 de abril, que antecede a Sexta-feira Santa. Para a Igreja Católica, o período é considerado um tempo de graça e preparação para a celebração da Páscoa do Senhor.
Durante esses 40 dias, a Igreja recorda o tempo em que Jesus esteve no deserto e foi tentado pelo demônio. Tradicionalmente, os cristãos são chamados à oração, ao jejum e à caridade, vivendo um período de penitência e reflexão.
A Quaresma termina na Quinta-feira Santa, pois a partir da tarde desse dia tem início o Tríduo Pascal, considerado um dos momentos mais importantes do calendário litúrgico. O Tríduo compreende as celebrações da Sexta-feira Santa, do Sábado de Aleluia e, finalmente, da Páscoa.
Neste tempo, inúmeras práticas devocionais são observadas pelos fiéis. Entre elas, a realização da Via-Sacra às sextas-feiras, a oração dos Mistérios Dolorosos do Rosário, a veneração da imagem do Cristo morto, além do exame de consciência e da confissão.
Mitos e superstições
Paralelamente às orientações religiosas, a cultura popular criou uma série de mitos ligados à Quaresma, muitos deles transmitidos de geração em geração. Entre as crenças mais conhecidas estão as proibições de varrer a casa, lavar o cabelo, tomar banho, lavar roupas, brincar na rua, jogar bola ou assistir televisão, especialmente na Sexta-feira da Paixão.
Também surgiram histórias destinadas a assustar, como a ideia de que a Quaresma seria tempo de bruxas e lobisomens, de que as almas penadas estariam soltas ou de que o diabo estaria livre para fazer o que quisesse. Há ainda relatos populares de que o Saci seria pior que o demônio e que “pegaria” quem desobedecesse às regras impostas.
Segundo o site da Comunidade Católica Santos Anjos, esses mitos são histórias inventadas ao longo do tempo. Muitas dessas narrativas tinham como objetivo evitar comportamentos considerados inadequados ou reforçar o respeito ao período religioso, mas acabaram sendo associadas ao medo e à ideia de castigo.
Entre os costumes mais controversos está a crença de que, se na Sexta-feira Santa as mães não podiam bater nas crianças, no Sábado de Aleluia teriam permissão para fazê-lo, como forma de “compensação”. A tradição popular dizia que quem desobedecesse às proibições pagaria com azar ou castigos por toda a vida.
Apesar das superstições ainda fazerem parte do imaginário popular, a Igreja orienta que a Quaresma seja vivida como um tempo de conversão, reflexão e prática do bem, distante de crenças baseadas no medo. |