Entendimento distinto envolve possibilidade de reforma, uso de prédio privado e manutenção do atendimento às famílias
Em entrevista coletiva concedida ultima, terça-feira, 27 de janeiro, a secretária municipal de Educação de Concórdia, Cássia Bortoli Roncaglio, apresentou os esclarecimentos do Executivo sobre o fechamento do CMEI Zoé Silveira D’Ávila, unidade que funcionava em parceria com empresa privada e atendia dezenas de crianças.
Segundo a secretária, o centro de educação infantil apresentava problemas estruturais e, após vistoria da Vigilância Sanitária, houve orientação para retirada das crianças do local, até que fossem realizadas as adequações necessárias. Diante da situação, o município buscou diálogo com a empresa proprietária do imóvel, a BRF, mas a tratativa não avançou.
Cássia explicou que, por se tratar de um prédio pertencente a um ente privado, a Prefeitura não pode realizar investimentos de grande porte, justamente os que seriam exigidos para a reforma da estrutura. Segundo ela, a empresa não demonstrou interesse em executar as melhorias necessárias, o que inviabilizou a continuidade do atendimento no local.
Com isso, a Secretaria Municipal de Educação optou pela realocação das crianças e dos profissionais para outros Centros Municipais de Educação Infantil da rede e pelo fechamento do CMEI Zoé Silveira D’Ávila. Segundo o Executivo, a reforma da unidade exigiria a retirada temporária das crianças de qualquer forma e não foi tratada como prioridade, levando o município a concentrar esforços na redistribuição da demanda em outras unidades de ensino.
Reunião virtual para tratar do tema é visto como fragilidade na condução de uma pauta com esta relevância
Ao confirmar que o diálogo com a empresa ocorreu por meio de reunião virtual, a Secretaria Municipal de Educação abriu margem para questionamentos sobre a condução do processo. Um tema sensível, que envolve educação infantil, parceria com empresa privada e impacto social relevante, exigiria, na avaliação de interlocutores políticos, uma articulação presencial, com maior peso institucional por parte do Executivo. A opção pelo formato remoto é vista como insuficiente diante da complexidade da situação.
Já a Câmara de Vereadores de Concórdia apresenta entendimento diferente sobre a condução do caso. Em manifestações públicas, o presidente do Legislativo, Closmar Zagonel, afirmou que os vereadores e vereadoras não concordam com o fechamento da unidade e defendem que a reforma do CMEI seja o caminho para manter o atendimento às famílias.
De acordo com o parlamentar, a Câmara entende que a parceria poderia ser mantida e até ampliada, desde que houvesse diálogo para viabilizar a reforma da estrutura. A Comissão de Educação da Casa aprovou requerimento para buscar tratativas com a empresa, com a Secretaria Municipal de Educação e com a Prefeitura de Concórdia, com o objetivo de discutir alternativas ao encerramento definitivo das atividades.
Em novo vídeo publicado nas redes sociais na noite de ontem, Zagonel voltou a afirmar que a Câmara de Vereadores não aceita, em hipótese alguma, o fechamento do CMEI Zoé Silveira D’Ávila e que a reforma e a reabertura da unidade são tratadas como prioridade absoluta na pauta da educação. No mesmo pronunciamento, o presidente da Câmara informou que, por meio do vereador André Holdefer, foi feito contato com familiar que dá nome ao CMEI e integra o conselho de administração da Marfrig.
Segundo Zagonel, o interlocutor se dispôs a levar o tema ao âmbito da empresa para auxiliar na construção de uma alternativa que permita a reabertura do diálogo e a definição de uma solução para a unidade.
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