O ex-governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, fez duras críticas ao governo do atual governador Jorginho Mello durante entrevista à Rádio Menina. Ao avaliar a atual gestão estadual, Colombo afirmou não gostar do governo Jorginho e classificou a condução administrativa como marcada por “muita propaganda e pouco resultado”.
Segundo o ex-governador, apesar das críticas ao governo, Santa Catarina segue apresentando bons indicadores econômicos. Para ele, o desempenho positivo do Estado não está diretamente relacionado à atual gestão, mas às características estruturais da economia catarinense, especialmente o perfil exportador.
“O Estado de Santa Catarina, independente do governo, está indo bem. Cresce em setores importantes da economia e tem uma grande vantagem por ser muito voltado à exportação”, afirmou.
Colombo também alertou para os impactos da reforma tributária em discussão no país, destacando que a tributação sobre o consumo pode trazer dificuldades adicionais para Santa Catarina, que produz mais do que consome. Ainda assim, ressaltou que o Estado continua “andando”, embora enfrente problemas cada vez mais graves de infraestrutura.
Infraestrutura e propaganda
Na entrevista, o ex-governador citou gargalos nas áreas de energia, saneamento e estradas, afirmando que o crescimento acelerado do Estado não foi acompanhado pelos investimentos necessários.
“Como nós crescemos muito, começamos a ter graves problemas de infraestrutura. Tem muita propaganda e pouco resultado”, reforçou.
Críticas aos números da saúde
O ponto mais contundente da entrevista foi a crítica direta aos números divulgados pelo governo estadual na área da saúde, especialmente em relação ao mutirão de cirurgias anunciado pela gestão Jorginho Mello.
Colombo questionou a veracidade dos dados apresentados, que apontam a realização de mais de 1,2 milhão de cirurgias em Santa Catarina.
“Santa Catarina tem cerca de 7,5 milhões de habitantes. Quer dizer que 20% da população fez cirurgia? Então houve uma epidemia desse tamanho? Esse número não é verdadeiro. Esse número é falso”, afirmou.
Para o ex-governador, a divulgação de dados inflados ou inconsistentes por parte do poder público prejudica a credibilidade da gestão e confunde a população.
“Esse tipo de informação é muito ruim quando é feita pelo poder público”, completou.
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