Uma denúncia feita por um empresário de Laguna, no Sul de Santa Catarina, levantou suspeitas sobre um possível esquema de venda irregular de atestados médicos em uma clínica do município. O caso ganhou repercussão após a divulgação de vídeos que mostram uma abordagem direta a um médico, apontado como responsável pela emissão dos documentos.
O empresário Patrik Paulino, proprietário de um supermercado na cidade, afirma que decidiu investigar a situação depois que uma funcionária apresentou um atestado médico no dia 24 de dezembro, véspera de Natal. Segundo ele, ao tentar confirmar a autenticidade do documento, descobriu que a clínica onde o atestado teria sido emitido estava fechada naquele dia e que o médico não se encontrava no município.
Diante da suspeita, Patrik diz que resolveu aprofundar a apuração por conta própria. Antes de confrontar diretamente o profissional, enviou um funcionário até a clínica para tentar comprovar a suposta irregularidade. As imagens gravadas mostram o trabalhador pedindo um atestado de “três ou quatro dias”. No vídeo, o médico solicita dados pessoais, menciona que colocaria como justificativa um quadro de diarreia no laudo e faz comentários que, segundo o empresário, indicariam a negociação informal do documento.
“Em vez de estar focado no atendimento aos meus clientes, estou em frente a uma clínica fechada tentando entender como uma funcionária consegue um atestado de cinco dias sem sequer passar por consulta”, declarou o empresário em uma das gravações divulgadas nas redes sociais.
Após a exposição do caso, o médico Airton dos Anjos de Moraes, citado como responsável pelo documento apresentado no dia 24 de dezembro, alegou que o atendimento teria ocorrido com a presença do pai da funcionária, justificando a emissão do atestado.
A defesa da trabalhadora também se manifestou. Em nota, o advogado André Felipe da Rosa afirmou que o afastamento médico se deu por um problema de saúde real, relatando que a funcionária apresentava os sintomas descritos no documento e que outros membros da família teriam enfrentado o mesmo quadro no período. Segundo a defesa, isso reforçaria a legitimidade do diagnóstico.
O advogado ainda questiona a validade das provas apresentadas pelo empresário, classificando o vídeo como um “flagrante preparado”, sem valor jurídico. Para ele, a gravação teria sido construída de forma artificial e não poderia ser usada para sustentar acusações que atinjam a honra e a idoneidade da funcionária. A defesa também destaca que, até o momento, não há elementos que comprovem qualquer irregularidade por parte da trabalhadora.
Paralelamente às manifestações, Patrik registrou boletim de ocorrência e formalizou denúncia junto ao Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC). Em nota, o órgão informou que tomou conhecimento do caso e que a situação já foi encaminhada à Corregedoria, responsável por conduzir a apuração por meio dos procedimentos internos previstos.
A clínica envolvida também declarou que irá adotar as medidas cabíveis diante das acusações. O caso segue sob análise das autoridades competentes e pode resultar em investigações tanto na esfera criminal quanto administrativa.
De acordo com Patrik, a prática não seria isolada. Ele afirma que outros casos semelhantes já teriam ocorrido com funcionários do supermercado e que, em média, os atestados estariam sendo oferecidos por cerca de R$ 125, valor que corresponderia à metade do preço de uma consulta médica. |