A Associação das Famílias das Vítimas do Acidente de Balão em Praia Grande, no Sul de Santa Catarina, divulgou uma nota de repúdio expressando profunda indignação com a decisão de não indiciar o piloto Elvis de Bem Crescêncio, envolvido no trágico acidente que resultou na morte de oito pessoas e deixou outras feridas. O grupo considera a decisão uma afronta à memória das vítimas e um grave erro da investigação.
Segundo o documento, há “indícios claros de negligência” que não poderiam ser ignorados pelas autoridades. A associação lista uma série de irregularidades que, segundo os familiares, demonstram a responsabilidade direta do piloto e da empresa *Sobrevoar*, da qual ele é sócio.
Entre os pontos destacados, a nota afirma que o piloto não possuía habilitação válida pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) para operar balões comercialmente e que a aeronave não era credenciada para voos turísticos pagos — o que configuraria atividade clandestina.
O texto também relata que, no dia do acidente, o local de decolagem foi alterado devido ao vento forte e que, mesmo diante das condições climáticas adversas, o piloto decidiu seguir com o voo. “Outros balonistas cancelaram suas decolagens, mas Elvis optou por continuar, assumindo conscientemente o risco”, diz o comunicado.
A associação reforça ainda que sobreviventes relataram falhas graves na condução da emergência. O fogo teria começado no fundo do balão, e o piloto, segundo as testemunhas, limitou-se a dizer que “ia dar um jeito”, sem tomar medidas efetivas. Durante a descida descontrolada, o piloto teria saltado antes dos passageiros, que ficaram sem instruções de como agir.
O documento destaca que Elvis foi o único que saiu ileso e sem queimaduras, enquanto as demais vítimas morreram ou ficaram feridas. Para as famílias, isso reforça a tese de que o piloto agiu de forma a salvar apenas a si mesmo.
A entidade também critica a discrepância no tratamento do caso em relação a outros acidentes semelhantes. “Em São Paulo, uma semana antes, o piloto e o dono do balão foram imediatamente indiciados. Se as leis são federais, por que o tratamento é diferente?”, questiona a nota.
Ao final, a associação exige a responsabilização imediata do piloto e dos demais envolvidos, ressaltando que o pedido não é por vingança, mas por justiça. “O silêncio das autoridades e a ausência de punição enviam uma mensagem perigosa: a de que vidas podem ser perdidas sem que ninguém seja punido”, afirma o texto.
A Associação das Famílias das Vítimas do Acidente de Balão em Praia Grande encerra o documento com um apelo: “Justiça para as vítimas. Responsabilidade para os culpados. Não podemos aceitar que crimes como este terminem em impunidade.” |