Conforme publicação no Diário Oficial do Estado da segunda-feira (8) (Portaria nº 247/2025 da Secretaria da Fazenda), foram liberados quase R$ 94 milhões em emendas parlamentares impositivas para municípios catarinenses.
Essas emendas são recursos carimbados do orçamento estadual, sob responsabilidade de cada deputado. Cabe a cada parlamentar decidir, em seu gabinete, quais municípios serão contemplados e em quais áreas — saúde, educação, infraestrutura, agricultura, fundo social. O governo apenas formaliza a transferência.
Recursos para Concórdia e AMAUC
Concórdia recebeu R$ 1 milhão nesta leva:
• Ivan Naatz (PL) – R$ 400 mil para custeio da Secretaria de Saúde.
• Neodi Saretta (PT) – R$ 600 mil, sendo R$ 150 mil para perfuração de poço artesiano e R$ 450 mil para parque infantil e aparelhos de ginástica.
Outros municípios da AMAUC contemplados:
• Ipira – R$ 100 mil (Fabiano da Luz – PT)
• Ipumirim – R$ 200 mil (Altair Silva – PP)
• Irani – R$ 250 mil (Jair Miotto – União Brasil e Nilso Berlanda – PL)
• Piratuba – R$ 100 mil (Nilso Berlanda – PL)
• Seara – R$ 100 mil (Fabiano da Luz – PT)
O peso da representatividade política
Tradicionalmente, Concórdia sempre elegeu dois deputados estaduais. Nomes como Moacir Sopelsa (MDB) e Neodi Saretta (PT) ocuparam por várias legislaturas cadeiras na Assembleia Legislativa, garantindo presença e recursos para a região.
No último pleito, Sopelsa não concorreu. A região seguiu elegendo dois deputados: Saretta, reeleito, e Edilson Massocco (PL), então vice-prefeito, que assumiu uma cadeira, mas renunciou no meio do mandato para disputar a Prefeitura. O resultado é que, hoje, a AMAUC sente a falta de representantes próprios em número suficiente para defender e direcionar recursos.
Deputado da região x deputado de fora
Informações palacianas indicam que cada deputado estadual dispõe de uma cota significativa de emendas parlamentares ao longo do mandato. O destino desse dinheiro revela a diferença entre dois perfis:
• O deputado da região: tem base eleitoral aqui, conhece as demandas locais, e prioriza seus recursos para atender os municípios que o elegeram.
• O deputado de fora: mora em outra região, representa outro território, mas busca votos em Concórdia e na AMAUC através de vereadores e lideranças. Eventualmente destina recursos, mas em valores menores e sem o mesmo compromisso contínuo.
Essa diferença pesa. Enquanto regiões com deputados nativos concentram milhões, a AMAUC recebe uma fração. O próximo pleito, em 2026, recoloca essa reflexão: sem deputados efetivamente comprometidos, a região perde espaço e recursos. Por isso, está mais do que na hora da AMAUC focar os votos em representantes daqui, comprometidos com um mandato de quatro anos e com o desenvolvimento da região. |